Zumbido: Sinal de perda de audição? Se adaptar aparelho auditivo ou o Implante Coclear ele desaparece?

Zumbido é definido como sendo a percepção consciente de som na cabeça ou nas orelhas, na ausência de estímulo sonoro externo correspondente. É uma das queixas de ouvido mais comum e interfere na qualidade de vida dos pacientes. Não é uma doença e sim um sintoma.  

O processo pelo qual o zumbido aparece é dividido em três etapas: geração, detecção e percepção. A geração é a criação do sinal anormal por algum fator, a detecção é a habilidade do sistema auditivo central detectar esses sons anormais e ignorar os ruídos ambientais. E a terceira e última etapa seria a percepção, que envolve o cérebro e também as emoções (sistema límbico), onde o desenvolvimento da percepção vai depender dos padrões armazenados em nossa memória auditiva, na dependência do estado emocional e da experiência prévia nossa.

Essa percepção sonora “fantasma” pode ser referida como panela de pressão, cigarra, bater de asa de borboleta, apito ou pulsar do coração. Pode ser contínuo ou ocasional, alto ou baixo, unilateral ou bilateral, na cabeça ou claramente percebida nos ouvidos. 

O que costumo comparar é que o zumbido seria como uma máquina com defeito. Se, por exemplo, a máquina de lavar começa a fazer barulho, é sinal de que ela está com algum defeito e temos que descobrir esse defeito. O nosso ouvido tem seu sistema todo escondido após um longo canal auditivo, assim, quando ele ou algo próximo a ele ou ligado a ele apresenta um defeito, a forma de avisar nosso cérebro é com o barulhinho, chamado zumbido! 

Mas agora qual seria a fonte do zumbido? Nesse momento entra a figura importante do otorrinolaringologista, o médico especialista em conversar, extrair a história de vida e do zumbido, pedir alguns exames e descobrir, entre as mais de duzentas causas, qual seria a sua causa do zumbido.

O zumbido não é apenas sintoma de perda de audição, zumbido pode ser por problemas na orelha, no conduto auditivo, na contração dos músculos da orelha ou próximo a ela, nos ossinhos do ouvido, na cóclea, no sistema nervoso central, na dentição e mordida ou até mesmo na circulação sanguínea. Essa última, por exemplo, desencadeada por alterações vasculares e metabólicas do nosso organismo como diabetes e outras alterações de glicemia, pressão arterial, tireoide, renal, hormonal, hepática e de alterações do colesterol.

Quando o zumbido é somente devido à perda de audição, temos grande chance de atenuar ele após equalizar a frequência do zumbido, usando os geradores de ruído dos aparelhos auditivos e próteses auditivas, porém se o barulhinho advir de outras causas, temos que tratar essas causas e usar o aconselhamento e terapia de enriquecimento sonoro, para ajudar a minimizar esse incômodo. 

Então deu para perceber que zumbido não é somente sinal de audição ruim, e então por isso, apenas adaptar um aparelho auditivo, não vai desaparecer com o mesmo. Sempre é importante procurar um especialista para descobrir a origem do barulho e assim tratar a causa e avaliar a indicação dos aparelhos com geradores de ruídos para zumbido.  

Fonte:

Maia F, Albernaz P, Carmona S. Otoneurologia Atual. 1 ed. Revinter. Rio de Janeiro, 2014: cap 27 (423-440)

Philippi F. Seminário Zumbido, Fundação Otorrinolaringologia (FORL). São Paulo. https://forl.org.br/Content/pdf/seminarios/seminario_45.pdf

Fukuda Y.  Zumbido Neurossensorial. Rev. Neurociências 8(1): 6-10, 2000

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