Próteses Auditivas Osteoancoradas ou Próteses Ancoradas ao Osso

São próteses que permitem ouvir por meio da condução óssea do som até a cóclea.

Existem duas formas que o som pode estimular o nosso ouvido interno, a via aérea e a via óssea, sendo que ambas as vias são medidas no exame básico para avaliação auditiva, a audiometria. 

A condução por via aérea é a mais importante e em pacientes com ouvidos normais, o som entra pelo pavilhão da orelha e conduto auditivo externo e faz a membrana timpânica e os ossículos do ouvido (martelo, bigorna e estribo) vibrarem, e esta vibração estimula a cóclea que transforma a energia mecânica em energia elétrica, a qual é transmitida ao nervo coclear ou nervo auditivo, sendo então levada até o cérebro.

A condução por via óssea ocorre quando existe alguma obstrução ou interrupção na passagem do som pela orelha externa, no canal do ouvido, ou pela orelha média, no tímpano ou nos ossículos, sendo que neste caso o estímulo vai pelos ossos do crânio até a cóclea, evidentemente havendo uma perda da intensidade do som pois perde-se o mecanismo de amplificação sonora que o tímpano e os ossículos proporcionam.

O conceito de condução óssea já existe há muito tempo. Um dos primeiros a adotá-la foi o compositor Ludwig van Beethoven. Beethoven começou a perder a audição aos vinte e poucos anos e precisava de uma maneira de ouvir sua música para poder continuar compondo. Então ele percebeu que colocando a extremidade de uma vareta no piano e a outra ponta entre os dentes, as vibrações do piano viajavam pela haste, passando por seus dentes e crânio até sua cóclea. Isso permitiu a Beethoven ouvir o suficiente para continuar a compor, e algumas de suas maiores obras foram escritas quando ele já tinha uma perda auditiva severa!

Fonte: Medel Corporation

As próteses auditivas convencionais utilizam a via aérea para amplificar o som. Muitas pessoas apresentam dificuldade para usar aparelhos auditivos pois têm alterações no ouvido externo que impedem a adaptação do molde do aparelho auditivo no conduto, como pacientes que nasceram com malformações (atresia de conduto auditivo externo, microtia ou anotia), infecções crônicas (otites crônicas com saída de secreção do ouvido), tumores ou alterações anatômicas pós-cirúrgicas de ouvido em que se necessita realizar o aumento do tamanho do canal, como nas cirurgias para colesteatoma ( timpanomastoidectomias ). Nestes casos as próteses auditivas ancoradas ao osso podem ser indicadas, pois vão enviar o estímulo sonoro diretamente da prótese (processador de fala) até a cóclea pela via óssea, “pulando” as orelhas externa e média danificadas. 

Um outro grupo de pacientes que podem se beneficiar das próteses de condução óssea são aqueles que têm surdez unilateral. Estes pacientes não têm problemas de conduto auditivo externo ou orelha média, mas não conseguem se adaptar ou ter resultados satisfatórios com  aparelhos auditivos pois a perda auditiva é muito grande (severa ou profunda). É a chamada single sided deafness (SSD) em inglês. Nesta situação, geralmente ocorre uma dificuldade muito grande em localizar a fonte sonora e também dificuldades em entender os sons nos ambientes ruidosos, com várias pessoas falando ao mesmo tempo.

A estimulação via condução óssea é possível graças a implantação de um pino de titânio que transmite a vibração da prótese diretamente para o osso do crânio na região retroauricular. Esta vibração se propaga pelo osso do crânio até a cóclea.

Fonte: Cochlear Corporation 

No caso de surdez unilateral, o paciente não vai ouvir do lado da cirurgia, mas vai ouvir no lado contrário. O som vai por meio da condução óssea estimular o outro ouvido, melhorando a capacidade de localização da fonte sonora. 

Fonte: Cochlear Corporation

Existem dois sistemas, os transcutâneos e os percutâneos. No sistema percutâneo, é inserido cirurgicamente um pino de titânio que atravessa a pele. No sistema transcutâneo a pele fica íntegra e as partes interna e externa se conectam por ímãs.

BAHA E PONTO

Em ambos existe um pino de titânio que perfura a pele, por isso chamados de sistemas percutâneos.

BAHA

Fonte: Cochlear Corporation 

PONTO

Fonte: Oticon Medical

BAHA ATTRACT, BONEBRIDGE E SISTEMA OSIA

Nestas não existe um pino atravessando a pele, a conexão é feita por um sistema de ímã interno e externo, por isso são chamados de transcutâneos.

BAHA ATTRACT

Fonte: Cochlear Corporation
Fonte: Cochlear Corporation

BONEBRIDGE

Fonte: Medel Corporation

SISTEMA OSIA

Fonte: Cochlear Corporation

Nestas não existe um pino atravessando a pele, a conexão é feita por um sistema de ímã interno e externo, por isso são chamados de transcutâneos.

Dentre ambos os sistemas, os transcutâneos (BAHA attract, BoneBridge e Osia) têm  menores complicações de infecção da pele.

Os percutâneos (BAHA Connect e PONTO) têm a desvantagem estética do pino atravessando a pele, além de complicações relacionadas ao pino externo e infecções de pele recorrentes, porém tem capacidade de amplificação superior, pois conectam o processador de fala diretamente ao osso, sem a atenuação da pele.

A indicação de qual tipo de prótese osteoancorada, se percutânea ou transcutânea, depende de critérios clínicos, anatômicos, audiológicos, expectativa de resultados, etiologia da surdez, dentre outros critérios avaliados pelo cirurgião e pela fonoaudióloga.

CIRURGIA DAS PRÓTESES PERCUTÂNEAS

Antes da cirurgia, é realizado um teste com um arco ou softband simulando o resultado da cirurgia, e esta é uma grande vantagem quando comparado ao implante coclear em que não existe a possibilidade de teste prévio.

A cirurgia consiste na instalação do pino de titânio na região na região atrás e acima da orelha, geralmente a mais ou menos 5 centímetros de distância do conduto auditivo externo, dependendo da espessura do osso e das condições da pele. Esta posição pode ser variável. A incisão costuma ser pequena, de 2 a 3 centímetros. Em adultos a cirurgia pode ser feita com anestesia local, sendo que a colocação do processador de fala pela fonoaudióloga é feita após a osteointegração do pino, o que ocorre depois de 2 a 3 meses da cirurgia em média.  

Nos casos em que a cirurgia não é possível por ainda não haver espessura óssea suficiente, geralmente em crianças menores de 5 anos de idade, pode-se usar a prótese com uma banda elástica (softband) até que a criança cresça e seu osso do crânio tenha espessura suficiente para adaptação do pino.

Fonte: Cochlear Corporation

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