Avaliação Eletrofisiológica em Crianças

Os exames eletrofisiológicos avaliam a atividade neuroelétrica das vias auditivas centrais. 

Os potenciais evocados auditivos (PEAs) são amplamente utilizados na rotina clínica em audiologia para o diagnóstico de alterações auditivas – deficiência auditiva – e também é utilizado para o monitoramento audiológico, como por exemplo, pré e pós-realização do treinamento auditivo ou pré e pós-adaptação do aparelho de amplificação sonora individual (AASI). 

Na criança, o potencial evocado auditivo e tronco encefálico (PEATE), conhecido clinicamente como BERA, é um exame que pode ser realizado desde o nascimento, em conjunto com as emissões otoacústicas evocadas (EOAs). 

O PEATE avalia a integridade da via auditiva, do nervo auditivo ao tronco encefálico. Através dele, também se realiza a pesquisa do limiar eletrofisiológico nas frequências específicas de 500Hz, 1000Hz, 2000Hz e 4000Hz. 

Na pesquisa da integridade da via auditiva por estímulo clique avaliamos a presença e latência das ondas I, III e V e dos interpicos I-III, III-V e I-V. O PEATE auxilia o fonoaudiólogo e médicos a entenderem como está acontecendo a atividade sináptica de diversas estruturas do tronco encefálico, mediante a presença de um estímulo acústico. Do nascimento até 24 meses, podemos verificar se o bebê apresenta uma deficiência auditiva ou se a criança encontra-se com a maturação da via auditiva em atraso. Faz-se importante frisar que não se deve realizar pesquisa de limiar eletrofisiológico com estímulo clique. 

Figura 1. Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico com estímulo clique, no equipamento SMART EP – IHS em individuo com limiares auditivos normais. Pelaquim et al. 2019. 

A pesquisa por frequência específica (Tone burst) é obrigatória em casos de suspeita de deficiência auditiva ou em crianças maiores que não respondem às avaliações comportamentais. Apenas com os limiares obtidos por frequência específica é que a fonoaudióloga (o) conseguirá realizar com precisão a regulagem do AASI. O AASI quando regulado de forma errada gera uma amplificação insuficiente, ou até mesmo causa desconforto auditivo ao bebê e a criança. 

Figura 2. Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico por frequência específica em 2000Hz, no equipamento SMART EP – IHS em individuo com limiares auditivos normais. Pelaquim (2019)

Outro PEA que podemos utilizar nos bebês e nas crianças é o Potencial Evocado Auditivo de Longa Latência (PEALL), também denominado Potencial Evocado Auditivo Cortical (PEAC). Com o potencial cortical podemos observar as modificações neurofisiológicas decorrentes do processo maturacional ao longo do desenvolvimento. O componente P1 é considerado um biomarcador da maturação das estruturas do sistema auditivo. A latência de P1 nos indica o tempo que o estímulo acústico leva para chegar ao córtex auditivo. 

A avaliação de P1 pode ser utilizada para acompanhar o desenvolvimento cortical de crianças usuárias de Implante Coclear e AASI, uma vez que um bom desenvolvimento ou um baixo desenvolvimento refletem diretamente no desempenho da percepção da fala. 

Figura 3. Potencial Evocado Auditivo de Longa Latência. Pelaquim et.al., 2019

Nesse traçado observamos todos os componentes, até o componente cognitivo P300. A marcação foi realizada na onda referente ao estímulo raro. Há quatro traçados, pois potencial que é potencial deve se repetir. Dessa forma, optei por realizar em Fz e Cz simultaneamente. O P300 deve ser avaliado apenas em crianças acima de cinco anos. 

O complexo P1-N1-P2 (Fig. 3, no círculo em vermelho) também é muito descrito na literatura para avaliar o desenvolvimento cortical em crianças até quatro anos. Importante ressaltar, que conforme a criança vai se desenvolvendo a latência de cada componente vai diminuindo e a amplitude fica maior, pois houve o surgimento de uma grande quantidade de neurônios na via auditiva central.

Os PEAs não substituem a avaliação comportamental! Eles são exames importantes dentro da avaliação auditiva infantil para auxiliar nos diagnósticos. Não obstante, devemos lembrar que toda avaliação auditiva deve ser realizada considerando o princípio do cross-check. Assim evitaremos diagnósticos errôneos que podem prejudicar o desenvolvimento da criança, além de termos diagnósticos e avaliações audiológicas de acompanhamento cada vez mais confiáveis. 

Um comentário em “Avaliação Eletrofisiológica em Crianças

  1. Muito importante todos exames complementares para fechar um bom diagnóstico auditivo principalmente em crianças e ou alterações neurologica ou outras deficiencia que pode comprometer o resutado dos exames que dependa da resposta do paciente se tenho outros exames ajuda muito etc quando quer fechar um diagnóstico mais completo.

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