Doenças da Orelha Média

A perda da audição mesmo que parcial é uma condição que gera bastante desconforto. Seja ela causada por um simples cerume impactado na Orelha Externa ou por uma doença grave e incurável do nervo auditivo. O paciente sempre nos procura com incômodo e limitação nas suas atividades de vida habituais. A Orelha Média é uma região do ouvido onde podem se desenvolver variadas doenças causadoras de perda auditiva. 

Figura: Anatomia da orelha (anteriormente chamado de Ouvido). Ilustração: SVETLANA VERBINSKAYA / Shutterstock.com

As doenças da Orelha Média são absolutamente diversas em mecanismos, perfil de pacientes acometidos e tratamento. Desta forma, engloba-las em uma única categoria é tarefa difícil, mas existem dois pontos comuns a todas: todas causam perda auditiva com componente condutivo e a recuperação mesmo que parcial da audição é possível. 

O componente condutivo é o único na maioria dos casos, mas em alguns pacientes está associado ao componente neurossensorial. Mas o que é perda auditiva condutiva? Pois bem, na Orelha Média a onda sonora que vibra o tímpano é – literalmente – conduzida para a Orelha Interna. O meio mais efetivo de condução desse som são os ossículos (martelo, bigorna e estribo). Em uma doença da Orelha Média chamada de Otosclerose, esta condução fica prejudicada pois a platina do estribo está fixa e toda a cadeia ossicular, consequentemente, vibra pouco. 

Esta doença não tem cura, mas tem opções de tratamento para reabilitação auditiva. O paciente pode por exemplo optar por usar aparelhos auditivos. Também pode optar pela cirurgia de uma prótese interna osteointegrada ao osso do ouvido. Uma opção bastante comum é a cirurgia de Estapedotomia. Nela, o cirurgião substitui parte dos ossículos rígidos por uma pequena prótese de 4,25 a 4,75 milímetros. Para os casos de perda profunda, o Implante Coclear é a opção. 

Figura 1:  Cadeia ossicular. Fonte: H. Hildmann, H. Sudhoff. Middle Ear Surgery. Springer, 2006. 
Figura 2: Supra estrutura do estribo substituída por prótese de 4,25 a 4,75 milímetros. Fonte: H. Hildmann, H. Sudhoff. Middle Ear Surgery. Springer, 2006.

O outro meio de condução é o próprio ar que preenche a Orelha Média. O grande exemplo de prejuízo neste mecanismo são as Otites Médias. Nestas doenças, a Orelha Média fica preenchida por secreção, ao invés de ar. 

As Otites Médias Agudas apresentam-se clinicamente em um paciente com dor de ouvido, febre e perda auditiva de início menor que 7 dias. É uma doença curável com bastante facilidade nos dias de hoje, graças à ampla variedade de medicamentos disponíveis. Os antibióticos são necessários na maioria dos casos. Principalmente, em crianças menores e dois anos e nos casos bilaterais. A audição via de regra começa a melhorar nos primeiros 7 dias e normaliza após 14 dias do início do tratamento. 

Figura: Otite Média Aguda. Adaptado de: Rosenfeld RM. A Parent’s Guide to Ear Tubes. Hamilton, Canada: BC Decker Inc; 2005.

Se o líquido permanecer na Orelha Média por mais de 3 meses, chamamos de Otite Média Serosa. Uma condição de alta prevalência. Estima-se que 1/3 das crianças até os 3 anos terão pelo menos um episódio. Em pessoas com este tipo de alteração, a perda auditiva permanece e existem poucos medicamentos com alto nível de eficiência. Em grande parte  dos casos, o paciente precisa ser submetido a uma cirurgia de colocação de Tubo de Ventilação para que a otite seja curada e sua audição se restabeleça. Esta também é uma situação bastante comum, sendo a cirurgia ambulatorial mais feita dentre todas nos Estados Unidos. 

Figura 1:  Otie Média Serosa.Adaptado de: Rosenfeld RM. A Parent’s Guide to Ear Tubes. Hamilton, Canada: BC Decker Inc; 2005.
Figura 2: Tubo de Ventilação posicionado em membrana timpânica de paciente com Otite Média Serosa.  Adaptado de: Rosenfeld RM. A Parent’s Guide to Ear Tubes. Hamilton, Canada: BC Decker Inc; 2005.

As coisas se complicam para a audição quando a Otite Média se torna crônica. Estes casos são aqueles nos quais há: perfuração do tímpano por mais de 3 meses e/ou destruição de parte dos ossículos e/ou Colesteatoma na Orelha Média e/ou alterações histológicas irreversíveis na Orelha Média. Pessoas com este tipo de otite precisam ser submetidas a cirurgia para reparar os danos causados pela doença. Na maioria dos casos o tímpano está perfurado e deve ser recuperado, se houver tumor (Colesteatoma) este deve ser completamente retirado e se houver destruição dos ossículos, estes devem ser reconstruídos com próteses.

Figura 1:  Cadeia ossicular reconstruída com prótese parcial. Fonte: H. Hildmann, H. Sudhoff. Middle Ear Surgery. Springer, 2006. 
Figura 2: Cadeia ossicular reconstruída com prótese total. Fonte: H. Hildmann, H. Sudhoff. Middle Ear Surgery. Springer, 2006. 

Depois de tantas figuras e descrições de prejuízos à condução do som, chegamos à notícia boa! A outra característica comum às doenças da Orelha Média é que nelas a recuperação da audição é possível mesmo que parcialmente. É possível perceber ao longo deste artigo a grande variedade de opções terapêuticas para pessoas com doenças da Orelha Média. Graças aos avanços da tecnologia, nós Médicos temos muitas possibilidades a oferecer aos pacientes. 

E se você que está lendo é um paciente, também há o que você fazer: tratamento precoce. Se você perceber sinais de perda auditiva não perca tempo, procure seu Otorrinolaringologista pois quanto mais precoce o diagnóstico, maior é será a chance de sucesso desta parceria. 

Fontes:

  • Kurc M, Amatuzzi MG. Fisiologia da Audição. Tratado de otorrinolaringologia / organização Shirley Shizue Nagata Pignatari , Wilma Terezinha Anselmo-Lima.- 3. ed. – Rio de Janeiro : Elsevier, 2018.
  • Rosenfeld RM, Shin JJ, Schwartz SR, et al. Clinical Practice Guideline: Otitis Media with Effusion (Update). Otolaryngol Head Neck Surg. 2016;154(1 Suppl):S1-S41. doi:10.1177/0194599815623467
  • H. Hildmann, H. Sudhoff. Middle Ear Surgery. Germany: Springer, 2006. 

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