O funcionamento do Sistema Labiríntico

O Sistema Labiríntico, também conhecido como Sistema Vestibular, é uma estrutura que se encontra próxima à Cóclea e é responsável por diversos controles de equilíbrio corporal. É por alterações deste sistema que podem surgir diversos sintomas de tontura. Conhecer as estruturas deste sistema é de suma importância para a compreensão de doenças que comprometem as suas funções e iniciar a intervenção terapêutica mais adequada a cada caso.

Na orelha interna temos, inserida no osso temporal, uma estrutura óssea oca. Esta pode ser anatomicamente dividida entre a “Cóclea” – responsável pela nossa audição – o Vestíbulo  e os três Canais Semicirculares – responsáveis pelo equilíbrio (não sozinhos, mas em conjunto com a visão e o sistema proprioceptivo). Ainda internamente a essa estrutura óssea existe uma estrutura membranosa.

Fonte: Gray’s Anatomia: A Base Anatômica da Prática Clínica, 40° ed

É importante destacar que a estrutura interna do labirinto ósseo e do labirinto membranoso é preenchida por líquidos. No entanto, o líquido interno ao labirinto ósseo é a Perilinfa, com composição semelhante ao líquido extracelular – rica em sódio e pobre em potássio – já o líquido do labirinto membranoso é de composição semelhante ao líquido intracelular – rico em potássio e pobre em sódio – e é chamado de Endolinfa. Mudanças nestas substâncias ou até desequilíbrios de sódio e potássio por motivos diversos podem ser algumas das causas de tonturas.

Os sensores principais de movimento contidos neste sistema são as Máculas, internas ao Sáculo e Utrículo, no Vestíbulo, e as Cúpulas, contidas nas Ampolas dos Canais Semicirculares. Estas estruturas podem ser vistas na imagem abaixo:

Fonte: SILVERTHORN, 2010.

Estes sensores permitem que o corpo se oriente no espaço e que o nosso sistema central possa calcular os movimentos a serem realizados de forma meticulosa com base na percepção que temos dos nossos movimentos. Os sensores podem identificar acelerações angulares, no caso das células sensoriais dos Canais Semicirculares – as Cúpulas-, ou percepções de equilíbrio estático ou aceleração linear, no caso das Máculas Saculares ou Utriculares. Estas estruturas se diferenciam especialmente pela maneira que recebem a informação de movimento. 

No caso dos Canais Semicirculares, cada canal possui em sua extremidade uma Ampola, que tem dentro dela uma crista ampular composta por células ciliadas com função sensitiva envoltos em uma massa gelatinosa, que é chamada de cúpula. Quando nos movimentamos, os líquidos internos dos canais ficam para trás por inércia e estimulam as células da cúpula por deslocarem-se. As correntes podem estimular as células de diferentes modos e intensidades, passando informações de movimento ao nosso cérebro, que vai reagir por diversas maneiras e movimentos reflexos, como os movimentos dos olhos para corrigir movimentos rápidos ou movimentos dos músculos para nos manter em estabilidade.

Já no Sáculo e no Utrículo, a percepção dos movimentos é diferente. Ambos possuem em sua estrutura uma membrana basal que sustenta as células ciliadas que percebem os movimentos. Elas estão mergulhadas em uma massa gelatinosa que contém sobre ela muitos cristais de CaCO3 (o Carbonato de Cálcio), conhecidos como “Otólitos”. Este conjunto é chamado de Mácula. A Mácula Sacular apresenta-se em posição majoritariamente vertical e a Mácula Utricular, em posição majoritariamente horizontal. Sempre que deslocamos nossa cabeça os Otólitos são atraídos por força gravitacional. O mesmo ocorre em situações de aceleração – seja horizontal ou vertical – nas quais os Otólitos se movimentam e estimulam um deslocamento das membranas basais que sustentam as células ciliadas, que são os sensores de movimento e irão enviar ao nervo as informações sobre estes deslocamentos.

Embora as percepções de movimento de cada sistema ocorra de maneira diferente, é a integração destas informações às diversas informações visuais e proprioceptivas – como onde estamos, quanta força estamos recebendo sobre o corpo, como está nossa inclinação de cabeça e como os músculos estão tensionados, que vai possibilitar um equilíbrio corporal total e nos manter com uma sensação de estabilidade. Se quaisquer vias de recepção de informação, sejam elas visuais, proprioceptivas ou labirínticas, estiverem alteradas, é provável que o nosso corpo dê sinais de que algo não está bem. Isso pode surgir como uma tontura – sensações inadequadas de movimento – ou até mesmo como borrões visuais. É preciso estar sempre atento. Alguns sintomas neurovegetativos como náuseas, vômitos, palidez e sudorese podem também ser sinais de alerta de alterações destes sistemas. 

Em algumas alterações destes sistemas, o acometimento dos Canais Semicirculares isoladamente podem causar sensações de Giros. Isso ocorre especialmente devido à sua característica sensorial de detectar movimentos angulares, como os giros. Já algumas outras alterações específicas nos líquidos do labirinto podem causar diversos tipos de instabilidade por acometer a percepção dos movimentos e alterar a maneira como os sensores recebem as informações destes movimentos. As patologias não foram aqui expostas, mas conhecer este sistema proporciona melhor compreensão de como o nosso corpo reconhece os movimentos. Também é possível perceber que é um sistema que compartilha líquidos com a Cóclea, que é o nosso receptor dos sons. Logo, quando os líquidos estão alterados, é possível que as alterações impactem em sintomas auditivos e de equilíbrio. Sempre que perceber alterações que podem estar relacionadas a quaisquer problemas, como é o caso dos zumbidos ou barulhos na orelha, das tonturas, sensações de percepção alterada dos sons, vertigens ou quaisquer sintomas que possam estar relacionados ao Labirinto ou Audição, procure o seu médico Otorrinolaringologista. 

REFERÊNCIAS:

  • ASSUNÇÃO, ARM.; ATHERINO, CCT. Conhecendo o Funcionamento do Labirinto. Revista HUPE. V.14, n. 1, p.28-30, 2015.
  • LLORENS, J. Novedades em Investigación sobre Implantes Vestibulares y Patología del Sistema Vestibular. Integración. N.90, p. 6-11, 2019.
  • MANDUJANO, MA.; SÁNCHEZ, C.; MANDUJANO, A. El Vértigo em Las Ciências Clínicas. Definiciones y Conceptos Basicos. Revista de Ciências Clínicas. V.20, n.1-2, p.41-47, 2019 e 2020
  • RIBEIRO, MBN.; MORGANTI, LOG.; MANCINI, PC. Evaluation of the influence of aging on vestibular function by the video Head Impulse Test (v-HIT). Audiology Communication Research. V.24, e2209, 2019.
  • SILVERTHORN, DU. Fisiologia humana. Uma abordagem integrada. Porto
    Alegre: Artmed, 2010. 992p.SIMÕES, JF.; MACHADO, A.; AMORIM, A.; SILVA, L. Inner Ear Hypofunction by Labyrinthine Hemorrage – Case Report. Revista Portuguesa de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial. V.56, n.3, p. 123-128, 2018.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: