Como funciona o tratamento multidisciplinar em: Psicopedagogia/Fonoaudiologia/Psicologia

A fonoaudiologia é uma ciência que atua na área da comunicação e seus distúrbios. O fonoaudiólogo garante a promoção, prevenção, avaliação, diagnóstico e intervenção quando a demanda abrange funções da audição, de equilíbrio, de linguagem, voz, etc. (CREFONO 2).

Esse profissional é o responsável pela habilitação e reabilitação também quando se trata de alguma deficiência relacionada à comunicação e suas singularidades.

Partindo do pressuposto de que na fonoaudiologia o diagnóstico e a intervenção precoces (ou seja, o mais cedo possível) sejam critérios essenciais para um bom prognóstico, se faz necessário a parceria com alguns profissionais para que o sujeito seja bem assistido.

Para que esse objetivo seja alcançado tem-se a proposta dos atendimentos multidisciplinares. Eles podem ser definidos como uma organização que permite o atendimento global e integral das especificidades do sujeito. Ou seja, profissionais de várias áreas (no caso do presente artigo, áreas da saúde e educação) que trabalham em sintonia para garantir o serviço em toda sua integralidade. A fonoaudiologia tem atravessamentos com as seguintes áreas:

  • otorrinolaringologia;
  • ortodontia;
  • pediatria;
  • pedagogia;
  • psicologia;
  • psicopedagogia;
  • terapia ocupacional;
  • escolar, etc.

Especificando mais os atendimentos multidisciplinares, explicarei o contexto a ser observado e refletido.

Meu ambiente de atuação é no SUS, na cidade de Campinas/SP e acolho crianças surdas que usam aparelhos auditivos de amplificação sonora individual e/ou implante coclear encaminhadas pelos Centros de Saúde. O objetivo principal do meu trabalho é o desenvolvimento da comunicação.

O conceito de comunicação vai muito além da fala. O principal objetivo é que a criança surda seja capaz de passar uma mensagem de maneira eficiente e ser compreendida por todos.

A proposta multidisciplinar também envolve o diagnóstico diferencial (demais hipóteses diagnósticas a serem confirmadas), além do planejamento terapêutico em conjunto. Principalmente quando se refere à linguagem é importante que encaminhamentos multidisciplinares sejam realizados para que a criança seja tratada da maneira mais eficiente possível (Haje e Faiad, 2005). 

Após a avaliação fonoaudiológica é de bom tom a verificação da necessidade de outros encaminhamentos (seja para fechar diagnóstico e/ ou intervenção em equipe com a criança), pois a dificuldade da criança pode ter diferentes origens.

Na fonoaudiologia, por exemplo, quando uma criança apresenta atraso de linguagem oral e nunca realizou nenhum exame é solicitado a audiometria para descartar a deficiência sensorial ou confirmar e direcionar o planejamento terapêutico. 

Sousa e Almeida (2017) trazem na publicação a importante reflexão sobre compreender o sujeito surdo em todas suas especificidades. Não apenas em atendimentos em reabilitação auditiva e linguagem, mas também deve ser acolhido em todas as áreas, ademais da área da saúde.

A recente lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência e visa garantir e promover a acessibilidade para pessoas com deficiência. Para o sujeito surdo a lei também engloba a questão da comunicação. A lei ainda traz em vigência a avaliação de modo biopsicossocial em equipe multiprofissional e interdisciplinar – de modo a tratar o sujeito com um todo e considerar sua trajetória, contexto e particularidades.

Quando se pensa em desenvolvimento de linguagem (oral, escrita, visuo-gestual) geralmente o primeiro profissional que se pensa é o fonoaudiólogo.

Porém, outras faculdades podem estar em defasagem e se fará necessária a avaliação de outros profissionais especializados como o psicólogo e o psicopedagogo.

Ainda existem famílias que se apegam ao objetivo da fala -e apenas fala – quando se trata de uma criança surda e não leva em consideração outras habilidades adquiridas anteriormente que são necessárias para a vida adulta e independente. 

O foco da psicopedagogia é prevenir e/ ou intervir nas dificuldades de aprendizagem. O psicopedagogo pode propor jogos e brincadeiras lúdicas para trabalhar dificuldades de habilidade motora fina e grossa que faz parte de uma (re)organização do corpo inteiro (se a criança não está organizada, como ela vai desenvolver atenção, coordenação, planejamento, por exemplo?). Essa organização já está comprovada que é eficiente na aprendizagem também de disciplinas acadêmicas, pois visa aprimorar funções executivas. 

Muitas vezes, em razão do atraso de linguagem, a criança surda também apresenta atrasos na linguagem escrita. A troca de conhecimentos com o psicopedagogo se faz de muita importância para que a criança diminua o gap (lacuna) da defasagem de aprendizagem e alcance os objetivos e marcos de sua própria faixa etária.

A família faz parte de uma importante parcela no sucesso da reabilitação auditiva e desenvolvimento da linguagem da criança surda. Ou seja, também precisa de cuidados. O profissional psicólogo tem o papel de orientar e intervir em questões como o luto da criança idealizada, processar o diagnóstico recente, elaborar sobre as novas necessidades, reorganizar a dinâmica familiar, etc., pois são questões que podem influenciar no prognóstico. A família e a criança precisam estar motivadas para o tratamento.

É preciso que os responsáveis entendam os objetivos do planejamento terapêutico da equipe multidisciplinar e abrace as orientações junto com os profissionais.

Portanto, pode-se concluir a grande importância da equipe multidisciplinar para o sujeito surdo se desenvolver em sua totalidade e com acessibilidade em todos os espaços.

Além disso, com a proposta de escrita desse artigo foi possível observar a falta de trabalhos acadêmicos publicados voltados ao atendimento do sujeito surdo e a equipe multidisciplinar.

Referências bibliográficas:

SOUSA, E.M.; ALMEIDA, M.A.P.T. Atendimento ao surdo na atenção básica: perspectiva da equipe multidisciplinar, 2017. 

Brasil. Lei 13.146, de 6 de Julho de 2015.

HAGE, S.R.V.; NETTO, L.V.F. Perfil de pacientes com alteração de linguagem atendidos na clínica de diagnóstico dos distúrbios da comunicação Rev CEFAC, São Paulo, n.4, pg 433-440, 2005.

Fonoaudiologia Disponivel em: https://www.fonosp.org.br/fonoaudiologia. Acessado em:  10/08/2021.

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