Fonoterapia

Para a medicina, a surdez é sempre uma alteração orgânica, comumente ligada a um ou mais fatores lesivos que afetam o órgão da audição. ( Northen e Downs, 2005)

Os sentimentos de revolta, negação, culpa, tristeza, solidão, apresentados pelos responsáveis, pós diagnóstico da surdez, podem ser modificados de acordo como eles interpretam a condição de seu filho, e ganham proximidade com eles. (Santos Filho e Oliveira, 2010).

Assim que a família recebe o diagnóstico da surdez, o Fonoaudiólogo exerce um papel fundamental no processo do desenvolvimento auditivo.

Deverá obter todos os dados do histórico de vida de seu paciente (anamnese). Avaliar em que fase da linguagem encontra-se, e, adaptar de imediato o AASI (aparelho auditivo  de amplificação sonora individual), para que seja estimulado todo resíduo auditivo, mantendo o cérebro “em alerta” que ali existe um sistema auditivo e que suas funções estão sendo preparadas para receber um recurso tecnológico que irá exercer essa  função.

Deve-se ouvir a família e os seus desejos relacionados as condutas realizadas quanto ao desenvolvimento de seu filho. E como fonoaudiólogos, temos o dever de informar e orientar todas as abordagens possíveis em relação a surdez. Como o uso de LIBRAS, LOF (linguagem orofacial), e as tecnologias dos recursos auditivos, tais como a utilização do AASI , Prótese Ancorada no Osso ou Implante Coclear.

Para qualquer uma das opções de comunicação que a família escolher, a estimulação deverá iniciar-se imediatamente, ofertando todas as possibilidades para que o indivíduo participe ativamente em sociedade dentro de seu desenvolvimento comunicativo, para que compreenda e se faça compreendido no meio em que vive.

Dentro desse processo de estimulação auditiva, é de extrema importância que os objetivos, planejamento, atividades, diálogos, estratégias, adaptação e assiduidade, sejam parte da colaboração ativa entre família e terapeuta, visando o bom prognóstico do desenvolvimento de comunicação da criança.

Ouvir a família, tirar suas dúvidas, orientá-la, informá-la, conversar a respeito da criança e do que pode estar afetando seu desenvolvimento, possibilitando a família a tomada de consciência, para trabalhar suas atitudes em relação as suas crianças, e melhorando a interação entre eles também, questionando a responsabilidade da família sobre a criança, bem como facilitar a comunicação com outros familiares. O terapeuta irá mostrar-lhe possibilidades, ajudando a encontrar o seu caminho e a desenvolver recursos (Aguiar, 2014, pág. 247) trabalhando assim a possibilidade e a liberdade de escolha.

A fonoterapia baseia-se na estimulação das habilidades auditivas de discriminação, detecção, reconhecimento e compreensão.

O objetivo é que o paciente chegue na compreensão auditiva, devendo comunicar-se de forma natural, tanto na recepção como na expressão de sua linguagem oral.

Para cada habilidade auditiva, são planejadas estratégias através de atividades específicas, que auxiliarão neste desenvolvimento.

É de se esperar que o paciente leve de nove meses a um ano para aprender a ouvir, para depois aprender a falar.

Vamos nos basear na aquisição de fala de uma criança típica e trabalhar dentro desse “GAP”, para que nosso paciente atinja uma comunicação satisfatória em sua rotina diária.

Daí a grande importância do envolvimento da família nesse processo.

A presença dentro da terapia de quem cuida dessa criança, não é apenas para fazer companhia, ou ter alguém que está ali para auxiliar com os recursos. A família presente em terapia é fundamental para observar, treinar as atividades, ouvir as orientações, dialogar sobre o desenvolvimento, traçar junto os objetivos a curto e longo prazo e levar tudo isso para casa e adaptar em sua rotina, oferendo o máximo de estimulação possível para a vida auditiva de seu filho.

O acompanhamento será baseado na evolução da audição/linguagem/fala/cognição.

O retorno regular nas datas marcadas para fazer os ajustes, a presença assídua de pelo menos 3X por semana na terapia fonoaudiológica, com fonoaudiólogo especializado em reabilitação auditiva, e o uso constante do dispositivo auditivo indicado e optado pela família junto ao otorrino e a fono ( implante coclear, AASI ou prótese ancorada no osso) são imprescindíveis para que haja evolução satisfatória e para que os objetivos traçados sejam alcançados com sucesso.

Manter um diálogo com naturalidade, e mostrar todos os sons que para nós ouvintes são comuns (como todos os sons do funcionamento diário de uma casa), é uma forma espetacular de estimulação auditiva).

Cantar músicas e contar histórias todos os dias, é proporcionar uma riqueza de vocabulário àquela audição que está ali pronta para receber todas essas informações, organiza-las, compreende-las, e, num futuro próximo, devolver em forma de comunicação plena.

Para encerar, uma reflexão:

Para cada 15 minutos diários que uma criança é exposta a leitura de uma contação de histórias, ao final de um ano terá ouvido 1000.000 de palavras. 

2 comentários em “Fonoterapia

  1. Gratidão a Deus e por todo cuidado, esclarecimentos, por toda ajuda conosco seus pacientes , és uma excelente profissional querida, muito dedicada somos a prova disso. 👏👏👏👏 🙌🙌🙌🙌

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  2. Beatriz Cypriano (Bia).

    Ótimo artigo. Parabéns!

    Diferentemente, do IC, que eu uso hoje, o aparelho auditivo, me proporcionou, por 30 anos, uma audição, quase audível.

    Eu ouvia e entendia as pessoas, as músicas, sabia distinguir os sons dos passarinhos, etc.

    Ajudei muitos deficientes auditivos, como eu, nas lojas da Phonak,, como embaixador, pois nem todos os deficientes se sentiam confortáveis, com o aparelho.

    Muitos se queixavam, dos familiares e das pessoas, em geral.

    Lamentável, essa discriminação.

    (Mauro de Oliveira)

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