Como estimular a linguagem oral, através da escuta?
Sabemos que a audição é um sentido de extrema importância para o desenvolvimento efetivo da linguagem.
Quando existe o diagnóstico da perda auditiva, sugere-se realizar o processo da reabilitação auditiva, que se inicia com a seleção e adaptação de aparelhos auditivos e acompanhamento fonoaudiológico semanal para monitorar o desenvolvimento da linguagem oral e das habilidades auditivas.
O Joint Commitee on Infant Hearing (2019), recomenda que todos os bebês sejam examinados com no máximo 1 mês de idade. Aqueles bebês que não passarem na TANU triagem auditiva neonatal, necessitam de uma avaliação audiológica mais abrangente com no máximo 3 meses de vida. Também é recomendado que os bebês com perda auditiva confirmada, comecem a intervenção apropriada, até no máximo 6 meses de idade, com profissionais que tenham experiência em perda auditiva e surdez.
Segundo Kathryn M. P. Harrison, Ana Claudi B. Lodi, Maria Cecília de Moura (1997), “o trabalho com a criança e a família, inicia-se no diagnóstico.”
Durante os atendimentos, recomenda-se a presença da mãe ou pai, ou ainda, o responsável pela criança, para orientações.
Segundo Maria Cecilia Bevilacqua, e Adriane Lima Mortari Moret (2005), “a tônica do processo de reabilitação de crianças com qualquer grau de surdez, é o trabalho efetivo junto à família.”
O processo terapêutico está voltado basicamente para o desenvolvimento de linguagem, porém cercado de cuidados que visam minimizar a privação auditiva. A fonoaudiologia na sua atividade clínica se apropria de técnicas que tiveram origens em diferentes métodos de reabilitação e, passa a incorporá-las na prática terapêutica com crianças surdas, no sentido de favorecer a utilização da audição. (Clay Rienzo Balieiro, Luisa Barzaghi)
Seguem abaixo algumas técnicas, que orientamos no nosso dia a dia, em contexto clínico.
– bombardeio auditivo: narrar todos os acontecimentos, nomeando, dando função sobre toda a vivência diária.
– canções: as modulações são extremamente positivas para o desenvolvimento das crianças. Além de extremamente prazerosa a todo ser humano.
– livros: a contação de histórias é muito efetiva, com modulações de intensidade de voz, tornando algo atraente, prazeroso e repleto de mistérios e surpresas.
– pausa: existe a necessidade de um momento de pausa, para a criança sentir-se confiante e tornar-se o interlocutor.
– troca de turnos: sempre presente nos diálogos, portanto é necessário mostrar para a criança que existe a troca de turno, que é necessário, um falar, o outro escutar, e vice-versa.
– espera: utilizar um tempo de espera para que a criança tenha tempo de processar o que ouviu e elaborar a resposta.
– questionamento: o que você ouviu?
-reformulação: reformular e utilizar sinônimos.
– fechamento auditivo: dar parte da mensagem e pedir para a criança completar.
Os exemplos de orientações e condutas citadas, precisam fazer parte da vida diária da família e da criança surda. É importante que não tenha caráter de tensão ou rigidez, mas que seja leve e prazerosa. Desta forma, é possível tornar efetivo o desenvolvimento linguístico e auditivo da criança, lembrando que o acompanhamento de profissional especializado é indispensável em todo o processo.

Bibliografia:
Auditory Verbal Therapy, Science Research and Practice. Sarrento EStrabooks, Helen McCaffrey Morrison, Karen Maclver-Lux. Abril 2020.
Tese: Desenvolvendo as habilidades auditivas em crianças usuárias de implante coclear: estratégias terapêuticas. Universidade de São Paulo. Faculdade de Odontologia de Bauru. Marta Maria Resegue- Coppi. 2008
Tratado de Fonoaudiologia- Otacilio Lopes Filho. São Paulo. Rocca: 1997.