Psicopedagogia na educação de surdos

A psicopedagogia tem como objetivo compreender como o indivíduo aprende, suas facilidades e suas limitações, para que a partir desta análise possa intervir e ajudar o mesmo. Dentro da reabilitação auditiva, a psicopedagogia atua da mesma forma, observando as facilidades que a criança tem, para estimular o que precisa ser alcançado ou até mesmo melhorado. 

Dentro da surdez temos os surdos oralizados e os não oralizados que utilizam a língua brasileira de sinais (LIBRAS). Os surdos oralizados são usuários de aparelho auditivo, ou implante coclear dependendo da configuração e do grau da perda auditiva.  O indivíduo que utiliza implante coclear, percorre um caminho até começar a ouvir, passa pela cirurgia, em seguida o pós operatório e após trinta dias vem a ativação. O dia da ativação, é marcado como o primeiro dia de vida auditiva da criança, e por isso falamos que a mesma tem, um dia de vida auditiva e sua idade cronológica. Algumas crianças chegam até a clínica com idade cronológica e auditiva bem próximas, onde a criança praticamente está dentro dos parâmetros do desenvolvimento infantil esperado para sua idade, no quesito acadêmico. Porém algumas crianças fazem o implante coclear tardio, o que dificulta um pouco mais o processo de aprendizagem. Logo, o trabalho do psicopedagogo vem agregar o  trabalho da fonoaudióloga, atuando primeiramente com aquisição de vocabulário e compreensão da criança, de forma lúdica e prazerosa, além da  leitura e escrita.

Para compreender melhor em que nível de aprendizagem esta criança se encontra, é realizado a avaliação psicopedagógica, onde a criança é avaliada de acordo com sua idade auditiva. Para que possa ser traçado objetivos de intervenção, adequados para dificuldade específica de cada criança auxiliando no seu processo de ensino-aprendizagem. 

Também é importante estimular toda intenção comunicativa da criança, fazendo mediações quando necessário. Durante as brincadeiras, é de extrema importância narrar tudo o que está sendo feito, ter entonação de voz, falar de forma tranquila, sentar no chão a frente da criança, se colocar no universo dela, para que a mesma se sinta acolhida.  É importante trabalhar com perguntas e respostas, atribuir significados para as palavras, sempre visando aumentar o vocabulário da mesma. Para Piaget, a linguagem é um sistema para representar a realidade, sendo ela a forma de comunicação entre os indivíduos, transmissão de informações e troca de experiências.

A inclusão da criança com deficiência auditiva no ensino regular, ainda levanta bastante questionamentos, pois muitas vezes a escola não está preparada. O diálogo entre a equipe multidisciplinar e a escola deve ser constante, para que juntos possam planejar estratégias que auxilie no ensino-aprendizagem da criança.  O PEI (Plano Educacional Especializado) ,é de extrema importância neste momento, pois é nele que a equipe pedagógica estabelece estratégias adequadas para que a criança possa aprender em equidade aos outros estudantes, no ensino regular. Toda criança é capaz de apreender, e por menor que seja este aprendizado, ele deve ser comemorado por todos ao redor.

Segundo Piaget (1975), a criança constrói a compreensão do mundo através de suas ações, passando por quatro estágios, sendo eles: sensório-motor (0 – 2 anos) compreende o mundo através de sensações e ações, pré-operatório (2 – 7 anos) compreende o mundo através da linguagem e imagens mentais, operacional concreto (7 – 11 anos) compreende o mundo através do pensamento lógico, e operacional formal (11 anos ou +) compreende o mundo através do raciocínio científico. Assim é possível observar que o desenvolvimento da linguagem é limitado pelo desenvolvimento cognitivo, sendo assim a criança necessita de alguns requisitos cognitivos para aquisição da linguagem. Na atuação psicopedagógica, a criança é estimulada no contexto emocional, motor, cognitivo e social de forma a contribuir para o seu desenvolvimento global.

Entendemos que para termos sucesso na reabilitação auditiva, se faz necessário uma equipe multidisciplinar que atuem juntos, uma família bem orientada que dê continuidade no trabalho em casa, e uma criança motivada para aprender. Quando temos estes pilares juntos, tudo fica mais leve e os resultados são visíveis.

Referências Bibliográficas:

1-SOARES, Maria Aparecida Leite. A educação do surdo no Brasil. Campinas: Autores Associados, 1999.

2-Ministério da Educação. Plano Educacional Individualizado. São Paulo: MEC. Disponível em: <https://sor.ifsp.edu.br/index.php/ultimos/87-artigos-arquivados/655-plano-educacional-individualizado-napne > Acesso em: 31 agosto 2022.

3-PIAGET, Jean. A Psicologia da Criança. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil,1998.

4-WEISS, M. L. L. Psicopedagogia Clínica: uma visão diagnóstica. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.

5-IDE, Sahda Marta. O jogo e o fracasso escolar. IN: KISHIMOTO, Tizuko Mochida. Jogo, brinquedo, brincadeira e educação. 4 ed. São Paulo: Cortês, 2000.

6-GOLDFELD. Márcia. A criança surda: linguagem e cognição numa perspectiva sócio-interacionista. São Paulo: Plexus, 1997.

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