Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados – PAINPSE

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022), mais de 1 bilhão de pessoas com idade entre 12 e 35 anos correm o risco de perder a audição devido à exposição prolongada e excessiva à música alta e outros sons recreativos. 

A Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados (PAINPSE) é uma perda auditiva sensorioneural por exposição continuada a Níveis Elevados de Pressão Sonora. É uma lesão auditiva irreversível decorrente de exposições repetidas e prolongadas, por anos, a ruídos intensos, acomete a orelha interna e aparece nos audiogramas, com um traçado em entalhe nas altas frequências, pode ser acompanhada ou não de zumbido, podendo ser devido ao ruído ocupacional ou social (lazer, hábitos sonoros, baladas, fones de celular, shows entre outros), (OS 608/INSS, 1998; GONÇALVES, 2009).

Conforme o Comitê de Ruído e Conservação da Audição da American College of Occupational Medicine, e segundo o Comitê Nacional de Ruído e Conservação Auditiva (OS 608/INSS, 1998) a PAINPSE possui as seguintes características:

  • Ser sempre sensorioneural (danos às células do órgão de Corti);
  • Ser quase sempre bilateral;
  • Uma vez instalada é irreversível;
  • Raramente leva à perda auditiva profunda;
  • A perda tem seu início, e predomina nas frequências de 6.000, 4.000 e/ou 3.000 Hz;
  • Não progride sem exposição;
  • Não torna o ouvido mais sensível;
  • Por atingir a cóclea, o trabalhador portador de PAINPSE pode desenvolver intolerância a sons mais intensos (recrutamento), zumbidos e perda da capacidade de reconhecer palavras.

Os seguintes fatores influenciam nas perdas auditivas:

  • Características físicas do agente causal (tipo de ruido contínuo, intermitente ou de impacto, espectro e nível de pressão sonora);
  • Tempo e dose de exposição;
  • Susceptibilidade individual (varia de acordo com a idade e com a resistência do organismo de cada pessoa).

O ruído torna-se fator de risco e prejudica a audição dependendo do volume e do tempo que você está exposto. Quanto mais alto o som, menor deve ser a exposição para que não ocorram danos. (OS 608/INSS, 1998).

Conforme a lesão coclear progride e o grau do comprometimento auditivo se aprofunda, os sintomas associados à PAINPSE são mais perceptíveis. (GONÇALVES, 2009).

No ser humano podemos identificar alguns dos efeitos do ruído como: (INAD, 2022)

  • Zumbido e insônia;
  • Aumento da produção de hormônios da tireoide; 
  • Aumento da produção de adrenalina e corticotrofina; 
  • Contração de vasos sanguíneos;
  • Dilatação da pupila e dor de cabeça; 
  • Aumento do ritmo cardíaco; 
  • Contração do estômago e abdômen;
  • Reação muscular.

No ambiente de trabalho podemos observar que o ruído pode desencadear: (3M do Brasil)

  • Problemas na comunicação (é o primeiro sintoma visível);
  • Baixa concentração;
  • Provoca desconforto e cansaço;
  • Nervosismo; 
  • Cansaço;
  • Baixo rendimento;
  • Pode provocar acidentes. 

Na audição podemos observar os efeitos do ruído como: (BERNARDI, 2003)

  • Trauma Acústico: Perda auditiva repentina (instalação súbita), causada por um ruído repentino e de grande intensidade. Ex. explosões de fogos de artifícios, foguetes, bombinhas, tiro.
  • Mudança Temporária de Limiar (MTL): é uma alteração temporária dos limiares auditivos que ocorre logo após a exposição a um ruído intenso, por um curto período de tempo.
  • Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora (PAINPSE): Ocorre pela exposição repetida durante longos períodos e com ruídos de alta intensidade e é irreversível.

Os efeitos que surgem a partir da exposição continuada dos trabalhadores com o ruído podem ser classificados em efeitos auditivos e extra auditivos e ambos os casos causam um importante impacto físico, psicológico e social no trabalhador, dessa forma podemos observar que os efeitos nocivos que o ruído desencadeia vai além da perda auditiva. (LOPES, GONÇALVES, ANDRADE, 2019).

A exposição a sons altos causa perda auditiva temporária e pode levar a danos auditivos permanentes, para proteger melhor sua audição siga as dicas abaixo: (OMS, 2022)

  • Evite o uso prolongado dos fones de celulares (mantenha o volume baixo);
  • Faça a higienização dos fones de celulares;
  • Faça o controle e a prevenção de doenças sistêmicas;
  • Não utilize medicamentos sem prescrição;
  • Use protetores auditivos em locais barulhentos;
  • Use tampões de ouvido em lazer como piscinas;
  • Realize check-ups auditivos regulares;
  • Consulte regularmente um médico Otorrinolaringologista;
  • Utilize os protetores auditivos o tempo todo que estiverem nos locais com ruído e durante toda a jornada de trabalho.

O diagnóstico tem o objetivo de identificar, qualificar e quantificar a perda auditiva com a prevenção do seu agravamento e tomadas as medidas efetivas de proteção. (OS 608/ INSS, 1998).

Para a investigação do diagnóstico da perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados, considerando-se que a alteração auditiva acometerá uma população que é exposta ao ruído ocupacional, devendo-se excluir outros possíveis fatores causais de alterações auditivas. (GONÇALVES, 2009).

O procedimento para o diagnóstico da PAINPSE é a Avaliação Audiológica que inclui: (OS 608/INSS, 1988)

  • Anamnese clínica e ocupacional.
  • Exame físico e otológico.
  • Exames audiométricos.
  • Outros exames complementares solicitados a critério do médico.

A prevenção é a principal medida a ser tomada antes de sua instalação e progressão. Sabemos que a exposição a níveis elevados de pressão sonora pode causar perdas auditivas irreversíveis e outros danos à saúde em geral. (OS 608/INSS, 1988).

É de responsabilidade da empresa e dos profissionais envolvidos implementar e gerenciar programas que visam não só à prevenção bem como evitam a progressão da perda auditiva do trabalhador exposto a níveis elevados, conforme preconizam as normas do Ministério do Trabalho. (OS 608/INSS, 1988). A perda auditiva devido a sons altos é permanente, mas evitável, sendo assim mesmo que a sua ocorrência seja baixa, deve ser motivo de intervenção fonoaudiológica o mais cedo possível a fim de prevenir o seu desencadeamento e agravamento, sempre que estiver exposto a sons altos proteja a sua audição. (OMS, 2022, LOPES, GONÇALVES, ANDRADE, 2019).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

– Livro Fonoaudiologia e Saúde Auditiva do Trabalhador/ organizadores Andrea Cintra Lopes, Claudia Giglio O. Gonçalves, Wagner Teobaldo L. de Andrade. 1. ed. Ribeirão Preto, SP: Book Toy, 2019.

– Livro Saúde do trabalhador: da estruturação à avaliação de programas de preservação auditiva/ Cláudia Giglio de Oliveira Gonçalves. – São Paulo: Roca, 2009.

– Livro Conhecimentos essenciais para atuar bem em empresas: Audiologia Ocupacional/ organizadora: Alice Penna de Azevedo Bernardi – São José dos Campos: Pulso; 2003.

– Instituto Nacional do Seguro Social. Ordem de Serviço INSS/DAF/DSS Nº 608, de 05 de agosto de 1998. Norma Técnica sobre perda auditiva neurossensorial por exposição continuada a níveis elevados de pressão sonora, Brasília, DF, 19 ago. 1998.

– OPAS Organização Pan – Americana da Saúde, acessado dia 03/11/2022 https://www.paho.org/pt/noticias/2-3-2022-oms-lanca-novo-padrao-para-combater-crescente-ameaca-perda- 

– INAD Brasil – Dia Internacional da Conscientização sobre o Ruído, acessado em 03/11/2022 – http://www.inadbrasil.com/

– 3M Saúde Ocupacional – Cartilha de Proteção Auditiva, acessado em 04/11/2022 – https://multimedia.3m.com/mws/media/1030355O/catalogo.pdf

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