A importância do uso dos protetores durante atividades aquáticas

Quem nunca entrou no mar, piscina, cachoeira e até mesmo durante o banho e teve  aquela sensação desagradável de água nos ouvidos? O que pouca gente sabe é que esse  incômodo pode ser um sinal de alerta e a prevenção é fundamental. 

O ouvido é formado por estruturas denominadas: Ouvido externo, composto pelo  pavilhão auricular e pelo meato acústico externo, comumente conhecido como canal auditivo, e tem como função captar as ondas sonoras e enviá-las à membrana timpânica. Ouvido médio, um espaço cheio de ar, separado da parte externa pelo tímpano, se conecta com a garganta por  meio da tuba auditiva (Trompa de Eustáquio). Ele é composto por 3 ossículos: martelo, bigorna  e estribo, que ao vibrarem em resposta aos movimentos do tímpano, amplificam e conduzem o  som ao ouvido interno. Ouvido interno, composto pelo labirinto e pela cóclea, parte essencial  do sistema auditivo. Ela é formada por mais de 15.000 células ciliadas, que vibram de acordo  com o som. Quando os ossículos conduzem o som até essa região, o líquido da cóclea se move e estimula as células nervosas que, por meio dos nervos auditivos, envia impulsos elétricos  nervosos em direção ao cérebro, para que os sons sejam interpretados (ouvimos com o cérebro). 

Figura 1: Anatomia da orelha – Fonte: FonoServ

O contato mais frequente e prolongado com a água gera uma lesão na pele que reveste  o canal auditivo e remove a cera, uma proteção natural que limpa, lubrifica e impermeabiliza o  ouvido externo com a função de protegê-lo, criando uma barreira contra poeira, insetos e outros  corpos estranhos. Além disso, possui alguns compostos que impedem a proliferação de fungos  e bactérias, e por ser autolimpante, o uso de hastes flexíveis (cotonete) ou qualquer outro objeto, 

se torna indevido, podendo ocasionar traumas locais, como a perfuração da membrana timpânica e aumentar o risco de inflamação e infecção. 

A higienização da orelha não é proibida e pode ser feita, sempre que necessário, de  forma superficial na entrada do canal auditivo, para retirar a cera que esteticamente pode causar  constrangimento. O próprio organismo tira naturalmente o excesso de cera produzido,  mantendo o funcionamento em harmonia. No entanto, em algumas pessoas, esse processo de  expulsão pode não ter muito efeito. Geralmente, o excesso é percebido com a redução da  audição, sensação de ouvido tapado, coceira, zumbido e pode ser causado por vários fatores,  como canal auditivo curto, muito pelo, envelhecimento, estresse, entre outros. Neste caso, é  fundamental procurar a ajuda do médico otorrinolaringologista responsável por diagnosticar e  tratar doenças no ouvido (oto), nariz (rino) e garganta (laringo) para que a remoção da rolha  seja feita através da lavagem do ouvido. 

Otite é o termo usado para denominar a inflamação no ouvido. Entre os principais tipos, podemos destacar, de acordo com a estrutura do ouvido: 

1. Otite externa é uma infecção do canal auditivo e acontece devido a uma invasão de  bactérias da pele para dentro do canal. O acúmulo de água no ouvido é a principal causa de otite externa, uma vez que o ambiente  úmido auxilia o crescimento bacteriano. Por isso, a otite externa também pode ser chamada de  ouvido de nadador. 

Outros fatores, além da umidade, contribuem para o desenvolvimento da otite externa,  como lesões no canal auditivo e a sensibilidade a produtos de higiene pessoal (por exemplo:  shampoo e sabonete)

Os sintomas mais comuns da Otite externa são: Otalgia (dor de ouvido) de intensidade  variável, Plenitude auditiva (sensação de ouvido tapado), Otorréia (ouvido com secreção),  Redução da audição, Zumbido e Coceira. A orelha pode apresentar vermelhidão e um leve  inchaço. E como em qualquer outro processo infeccioso, pode ocasionar febre, principalmente,  em crianças que costumam ser bastante acometidas por otite no verão. 

Esses sintomas podem ser ainda mais intensos se a água for doce – de rio ou lagoa;  habitat onde se proliferam as bactérias Pseudomonas sp, um dos agentes causadores. Outras  bactérias também podem ser encontradas em piscinas ou banheiras que não são  adequadamente higienizadas ou tratadas com cloro. Quando a água contaminada fica presa  no ouvido, as bactérias podem se reproduzir e ocasionar a perda de audição irreversível dependendo da região acometida. 

Ao sentir a sensação de água nos ouvidos, os cuidados abaixo podem ajudar na  remoção: 

• Secar as orelhas com a ponta de uma toalha macia, sem inserir no canal auditivo;

• Inclinar a cabeça e puxar sutilmente a orelha para trás até que o líquido escorra;

• Mastigar ou bocejar com a cabeça inclinada para o lado; 

• Não utilizar hastes flexíveis (cotonete) para limpar, secar ou retirar qualquer possível  secreção de dentro dos ouvidos. As hastes devem ser usadas apenas para limpeza externa da  orelha, nunca no canal auditivo, pois aumentam as chances de causar ferimentos e piorar a  situação, assim como o ator de coçar. 

A otite externa pode evoluir para um quadro mais grave, se não for tratada ou se o  tratamento não for adequado. Normalmente, o otorrinolaringologista receita o uso  de analgésicos para aliviar a dor no ouvido e pode ser indicado um medicamento em gotas para  ser administrado diretamente na região. Em situações mais graves, o especialista realiza  uma limpeza no local e aplica antibiótico diretamente no ouvido. Caso necessário, o paciente  pode ser internado para receber dosagens mais fortes. 

2. Otite média é uma infecção que ocorre na região que estabelece relação com o nariz.  Esse tipo de otite costuma aparecer durante ou após resfriados, gripes e infecções respiratórias  ou na garganta. Apesar de ser muito comum em crianças, é importante saber que a otite média pode atingir pessoas de todas as faixas etárias. Ela costuma ser dolorosa por conta da inflamação  e do acúmulo de secreção nessa região. 

A otite é causada por vírus ou bactérias e pode afetar um ou os dois ouvidos. Geralmente,  as crianças são as mais afetadas em razão da menor imunidade e do posicionamento das  estruturas anatômicas relacionadas à audição. No entanto, qualquer pessoa está propensa a essa  enfermidade. Ela causa dores, vermelhidão, inchaço e dificuldade auditiva. 

Embora seja facilmente tratada, a otite pode se tornar crônica e levar à perda auditiva.  Em casos extremos, é recomendada a cirurgia que drena o líquido e melhora consideravelmente  a audição do paciente. 

Os nadadores também estão no grupo de risco da otite média. O contato frequente com  a água favorece a eliminação da cera de ouvido, o que aumenta a incidência de bactérias e  outros microrganismos na região. 

O médico otorrinolaringologista precisa analisar a causa e o estado da otite para saber  se o próprio organismo conseguirá combatê-la, recomendando apenas a observação da região,  ou a verificação da necessidade de anti-inflamatórios e analgésicos para aliviar a dor e eliminar  a infecção. O uso de descongestionantes também pode ser receitado para reduzir a congestão  nasal. 

Antibióticos podem ser receitados caso haja presença de sintomas, como: vômitos, dores  fortes e febre alta. Em todos os casos, é recomendado que não se deixe acumular secreção nasal para que o nariz e a garganta não corram o risco de desenvolver inflamações. Vale lembrar  que existem vacinas contra o Streptococcus pneumoniae e o Haemophilus influenzae que  protegem as crianças de várias infecções — entre elas, a otite média. 

3. A Otite interna atinge a porção mais complexa do ouvido, é justamente no ouvido  interno que se encontram o labirinto e a cóclea, responsáveis pelo equilíbrio e pela audição.  Essa região fica próxima de estruturas delicadas, como o nervo vestibular e o nervo auditivo,  por isso, infecções nessa região são consideradas muito graves. 

Essa otite provoca inflamações e irritações no ouvido interno. Há grandes possibilidades  de o indivíduo também ter problemas de labirintite, pois é possível que a infecção atinja o labirinto. Como a otite interna é considerada muito grave, o médico pode iniciar a internação do paciente para oferecer cuidados mais intensivos e controlar a infecção.  

Portanto, mediante as informações supracitadas, sabemos que o ouvido é uma região  muito sensível e exige certos cuidados para não se tornar o início de problemas sérios de  saúde. Uma das precauções é sempre vedar os ouvidos contra entrada d’água através do  uso preventivo de tampões auriculares, de preferência, sob medida. No mercado, existem  diversos tipos e geralmente, são classificados pelos materiais abaixo: 

Cera: Material antialérgico, fácil de se moldar ao tamanho da orelha, porém, é indicado apenas para quem não pratica esporte aquático e não tenha nenhuma pré disposição para  inflamações ou infecções. A vedação é parcial, causando uma falsa sensação de  segurança. Pode ser uma boa opção para dormir, já que a vedação é suficiente para  atenuar os ruídos do ambiente.  

Figura 2: Protetor auricular de cera – Fonte: Muvin, 2021

Silicone: Antialérgico, maleável, lavável e reutilizável. Existem três tipos de protetores com esse material: 

1. Formato de parafuso: O fabricante recomenda a utilização a partir dos 12 anos, porém, o produto é tamanho único. Logo, a vedação também é parcial e não é o ideal para a prática de  esporte aquático. 

Figura 3: Protetor auricular de silicone em formato de parafuso – Fonte: A autora 

2. Ergonômico: Aparentemente, pode parecer seguro e ter um encaixe perfeito no ouvido.  Mas, o produto foi moldado num tamanho padrão. Logo, é impossível ter uma vedação  completa em todas as pessoas. Também, não é indicado para a prática de esportes aquáticos. 

Figura 4: Protetor auricular de silicone em formato ergonômico – Fonte: Hammerhead, 2021

3. Sob medida: Diferente dos outros modelos, esse é feito exatamente de acordo com a  anatomia de cada pessoa. É um produto individual e pode ser personalizado. Esse tipo é o mais  indicado para praticantes de natação, hidroginástica, pessoas com perfuração timpânica, otite,  orelhas recém-operadas, entre outros. Vedam completamente os ouvidos contra a entrada  d’água e tem o benefício adicional de serem utilizados para atenuar ruídos externos. 

Figura 5: Tampão de ouvido de silicone, sob medida – Fonte: A autora 

O procedimento para tirar o pré-molde dos ouvidos é realizado somente por  fonoaudiólogos capacitados. E só pode ser feito após a meatoscopia, avaliação obrigatória, a  fim de verificar se existe algum corpo estranho, inflamação, perfuração, secreção, cera  obstruindo o canal auditivo, entre outros. Em caso de anormalidade, o paciente é encaminhado  para o médico otorrinolaringologista para uma avaliação mais minuciosa.  

Após a inspeção do canal auditivo, é inserido um “otoblock” de algodão para proteger  a membrana timpânica e limitar o tamanho do conduto no molde. Em seguida, é feita a inserção  de uma massa a base de silicone, com a ajuda de uma seringa própria para realização da  moldagem, que permite alcançar uma impressão precisa e detalhada da anatomia da orelha.  Após alguns minutos, a massa seca, enrijece e o pré-molde é retirado exatamente com o  tamanho e formato do ouvido do paciente. Posteriormente, são enviados ao laboratório, onde  serão confeccionados os tampões, sob medida, por um protético especializado.

Figura 6: Inserção da massa no ouvido – Fonte: Fonoonline, 2018 
Figura 7: Impressão do ouvido após processo de secagem – Fonte: Unik, 2020 
Figura 8: Uma, das várias etapas do processo de confecção no laboratório – Fonte: Audiodream, 2020
Figura 9: Tampão auricular, sob medida e personalizado de acordo com a  preferência da paciente – Fonte: A autora 

Infelizmente, a maioria das pessoas só procuram um médico otorrinolaringologista e até mesmo um fonoaudiólogo, quando já desenvolveram algum problema ou quando a  situação já está bem grave e esquecem, que a prevenção é o melhor tratamento. Os cuidados  com a saúde auditiva são práticas fundamentais para manter o bem estar e a qualidade de  vida. Com isso, lembre-se de inserir os exames auditivos no check-up anual e baseado nas  informações do artigo, invista no tampão auricular, sob medida, de forma preventiva. Não  espere sentir algum sintoma. Sempre que for praticar algum esporte aquático, vede os  ouvidos da forma correta e segura. O custo do cuidado é menor que o custo do reparo. A  sua saúde não tem preço!

Bibliografia 

• ARAÚJO, Dharyemne. Dor de ouvido após o banho de mar ou piscina: o que fazer?  Otorrinos Curitiba, 2018. Disponível em: < https://otorrinoscuritiba.com.br/saude/dor de-ouvido-apos-o-banho-de-mar-ou-piscina.html>. Acesso em: 25 de Jan de 2021. 

• BRUNA, Maria Helena. Otite externa (Ouvido de nadador). Drauzio Varella, [s.d.].  Disponível em: < https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/otite-externa ouvido-de-nadador/>. Acesso em: 25 de Jan de 2021. 

• NATAÇÃO e seus ouvidos: O que você precisa saber. Signia-ouvir, c2021. Disponível  em: < https://www.signia-ouvir.com.br/blog/natacao-e-seusouvidos&gt;. Acesso em: 26  de Jan de 2021. 

• JÚNIOR, Luiz Herculano. Quando procurar um otorrinolaringologista? Otorrino  Garrafa, 2020. Disponível em: < https://otorrinogarrafa.com.br/quando-procurar-um otorrinolaringologista/>. Acesso em: 25 de Jan de 2021. 

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• TENHO muita cera nos ouvidos, devo me preocupar. Menthel aparelhos auditivos,  c2021. Disponível em: < https://menthel.com.br/tenho-muita-cera-no-ouvido-devo-me preocupar>. Acesso em: 19 de Fev de 2021 • MANUAL definitivo e completo para se fazer uma perfeita adaptação. Fonoonline,  2018. Disponível em: < https://fonoonline.com.br/curso/aasi-o-manual-definitivo-e completo-para-se-fazer-uma-perfeita-adaptação>. Acesso em: 19 de Fev de 2021.

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